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domingo, 22 de maio de 2011

Cultura em Santo Amaro: Casa do Samba e Memorial de Dona Edith




O Recôncavo Baiano é culturalmente marcado pelo samba-de-roda e Santo Amaro é uma das mais belas representações dessa raiz. Dois dos mais importantes espaços culturais da região se prestam à memória do samba-de roda: a Casa do Samba e o Memorial de Dona Edith do Prado.

Já na chegada à cidade, pode-se ver a Casa do Samba que fica estrategicamente localizada próxima à rodoviária. O casarão de estilo colonial, pertencente ao Conde de Subaé, já serviu à família Araújo Pinho e foi vendido para a prefeitura de Santo Amaro em 1977, sendo tombado pelo Instituto do Patrimônio Artístico Nacional (IPHAN) em 1978. Em 2007, transformou-se na Casa do Samba de Santo Amaro (Centro de Referência do Samba-de-roda), como o vemos hoje. A Casa guarda documentos históricos, possui estúdio para gravação de cd’s e albergue para visitantes que prefiram passar a noite na cidade (a diária custa R$15). Aberta para visitação de segunda a sexta de 8h as 17h e sábado, de 09h as 14h, o espaço também conta com a exposição “Samba de Roda”, com fotografias de Luiz Santos. A exposição pretende buscar o samba na ritualidade, com fotos que expressam os rituais, a festa, a comida e a indumentária, além de imagens de santos, já que a religiosidade está intrinsicamente associada ao samba.

O Memorial de Dona Edith do Prato funciona na Câmera dos Vereadores e completa um ano de fundação no próximo dia 13 de junho. A reza de Santo Antônio, realizada tradicionalmente na casa de Dona Edith, será realizada no Memorial nos dias 11, 12 e 13 de junho. O memorial recebe estudantes de vários lugares para visita e bate-papo sobre a história do samba-de-roda. Seu acervo é composto por fotos, pelo prato que Dona Edith utilizava como instrumento para seu samba, as roupas que vestia nas suas apresentações, trechos gravados de entrevistas para rádio, vídeo e CD’s, entre outros. No espaço, também são realizados encontros com escritores e cursos.

Dona Edith, que foi mãe-de-leite de Caetano Veloso, deu vida ao samba-de-roda e cantos folclóricos. Como instrumentos musicais, utilizava o prato e a faca que raspava no prato. Faleceu em 2009, tornando-se referência para sambadores e sambadeiras.

Datada de 1929, a inscrição na faixada da Casa do Samba, de que “este prédio revivem as tradições da nobreza que unida ao povo batalhou pela causa da independência do Brasil” diz muito sobre a história do Recôncavo Baiano. Visitar essa região e conhecer o samba-de-roda, à medida que a história do samba diz muito sobre nossa ascendência escrava, são passos importantes para conhecer a Bahia.


segunda-feira, 18 de abril de 2011

Terceiro dia de Formação (dia 13 de Abril)

Aconteceu dia 13 de abril o terceiro encontro de formação para os novos membros da Agência Experimental. A discussão sobre Cultura Popular foi mediada por Vanusa Mascarenhas, doutoranda em Políticas Públicas para a Cultura Popular pela UFBA
Iniciamos a discussão com questionamentos a respeito do que é cultura popular. Entendemos que esta não é uma realidade óbvia, natural ou consensual, mas, um conceito histórico, muito recente com inúmeras variações.
Cultura popular é também uma questão de classe. É o reconhecimento do nordestino em comer baião de dois, do sulista em tomar chimarrão, é o reconhecimento do baiano indo ao Rio Vermelho pra comer acarajé.Cultura popular é o olhar do povo reconhecendo a si mesmo em suas práticas habituais.
Observamos a literatura de cordel e percebemos a modernização das dinâmicas culturais. O cordel era inicialmente impresso em xilogravura e adota posteriormente a capa ilustrada, semelhante à revista de história em quadrinhos. Entendemos que a cultura popular tende a acompanhar os avanços da modernidade modificando-se para atender o mercado consumidor
Também debatemos a respeito do processo de inserção do saber popular na academia e percebemos a necessidade de instigar o reconhecimento da produção popular como saber e não apenas como objeto de análise e estudo. Sendo assim, é necessário abandonar a idéia de apenas visitar e adotar a idéia de conviver, proporcionando um aprendizado mútuo. As nossas intervenções na comunidade não devem ser feitas para a comunidade, mas, com a comunidade, respeitando assim o seu espaço da comunidade e as suas decisões a respeito das suas próprias práticas.
Conhecemos três tipos de pesquisadores da cultura popular: o antiquário, o qual analisa a cultura enquanto passado; o romântico, que analisa a cultura enquanto formação da identidade; e o folclorista que tem a cultura como objeto de estudo científico.
O fato de tratarmos sobre a cultura popular e o seu reconhecimento não nos impediu de ter uma reunião pautada num clima de descontração, e foi desta forma que Vanusa encerrou o encontro. ‘Gente, sou vice-presidente da Comissão Baiana de Folclore’, disse-nos. Ela justificou que preferiu revelar no fim para que, como muitas vezes já aconteceu, suas palavras não caíssem em descrédito. Muito pelo contrário, pelas expressões dos ouvintes, este foi um debate muito salutar que proporcionou um crescimento informacional, não só para os membros em formação, mas, para todos os presentes.



Texto Escrito por Carolina Leal
Nova membro da Agência Experimental